segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Acontecimentos de Merdi Gras

Para mim, que ainda só terei uma semana de férias em Agosto, enquanto espero por mais dias sem mexer um mindelo esparramada no sofá, enquanto as tarefas domésticas que tenho em cima do lombo se multiplicam à velocidade de um funil, a época em que vivo é parecida com a páscoa: tempo de contrição, até ao esperado momento em que o comum dos mortais tira a barriga de misérias papando uma quantidade insana de chocolate até ter uma valente dor de barriga, naquela que é mundialmente conhecida como watching animation movies and eating chocolate day. Ou entra de férias, no meu caso.

Mas como eu ia a dizer, até lá, é tempo de passar um mau bocado, pelo menos, sem as regras de alimentação extremamente restritas e apalermadas da páscoa, expecto para aqueles que vão pagar a gula ao ministro do culto. "Ai não posso comer carne quando me apetece? Vou já abrir os cordões à bolsa e vamos ver se não me posso empandeirar com uma vitela assada da quarta-feira de cinzas!". Ou, aproveitando a analogia acima, de quem tem empregada doméstica (se bem que eu até gosto de peixe, apesar de uma tosta mista vir mesmo a calhar em qualquer altura do ano).

Toda esta conversa faz-me lembrar de um acontecimento que ocorreu há uns tempos, em forma de "oh senhores, vou mandar esta gaja pela janela do comboio e quando ela se esborrachar contra a protecção sonora mais próxima, acabaram-se os problemas. Os dela, e os meus, que é estar a ouvi-la".


A tarde prometia. Ia a uma festa com o Moço, comer cheesecake de oreo e conhecer um gato. O comboio já estava semi cheio, por isso, tivemos que nos sentar ao lado de uma rapariga chorosa, que piava ao telemóvel um desgosto amoroso tipicamente pital. Até aí, nada de novo. Quem nunca encontrou uma cena destas na vida, ou não é deste mundo, ou tem uma sorte do caraças. O qual não é, como irão ver, o meu caso.

A rapariga malditou-se em como ele já não queria nada com ela, que tinha que tirar as coisas dela da casa dele e que não queria ficar a trabalhar no sítio onde estava nem mais um dia, mas tinha que dar uns dias à casa. Uns dez minutos depois de mi mi mis, o silêncio. Que só durou escassos segundos, o tempo necessário para a moça ligar a outra pessoa. Chorou, voltou a repetir a toda uma história, mas acrescentou alguns pormenores. "Já a primeira vez foi assim, agora à segunda já não volto!" Espera lá, essa cassete já está a passar em repeat?!


Confesso que cheguei, no início, a ter pena da rapariga, porque não é fácil interromper as férias com a família com quem se estás de vez em quando, porque mudaste-te completamente para outra cidade por causa da pessoa que gostas, mas que, milagrosamente, acabou de se borrifar em ti. Pela segunda vez. Mas de mim ninguém tem pena, nem das restantes pessoas que se encontravam naquela carruagem, até porque a moça não falava propriamente baixo. Eu bem tentava iniciar todo o tipo de conversas com o Moço para não estupidificar, ou cometer um crime de sangue.

Toda esta história foi ganhando novos e retorcidos contornos ao longos das restantes chamadas que a moça foi fazendo para várias pessoas. Lá pela oitava chamada, deixei dar conta das vezes que ela repetia a conversa toda a uma criatura diferente ao telemóvel. "Não quero é estar a contar à macacada toda...". Pois não, mas estás a contar porra da tua vida toda ao resto do jardim zoológico e eu não quero sabeeeeeerr!! "Amanhã bebo uma garrafa de vinho, ressaco e isto passa." Grande filosofia, acho que vou adoptar. Só que não.


À páginas tantas, eu desisti de ter uma conversa com o Moço, pois o patife não largava a m*rda do telemóvel. Crescia em mim a vontade latente de, já que estava para mandar um pontapé na gaja para a enviar a alta velocidade para o poste da Ren mais próximo, economizar nos golpes à Karaté Kid e, num só salto, mandar gaja, Moço e o telemóvel de ambos com os porcos. Mas contive-me. Até porque pouco depois percebi que o telemóvel era o veículo que o Moço estava a usar para contar a toda a gente que encontrasse nas redes sociais do nosso pesadelo.

Finalmente tivemos que sair... e a rapariga lá continuou os seus telefonemas, atrás de nós, mas rumo ao alfa-pendular. De zero a "oh meu Deus ele tem um saca-rolhas", o quão traumatizante foi para mim? Algures perto do "çocorrr!!". E só porque acabei de me lembrar desta situação traumática, vou ali comer um chocolate, que eu mereço.



* Mardi Gras está mal escrito ali no título, mas foi de propósito. Só para esclarecer =)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Mini-férias ^^


Há cerca de três semanas, para comemorar o meu vigésimo sétimo aniversário, eu e o Moço decidimos passar uns dias num sítio agradável do nosso Portugal. Como só teríamos três dias para essas nossas mini-férias, procuramos uma localidade que ficasse perto, ou seja, pelo Norte do país, e que fosse pequena, pois a idea não era propriamente ver coisas mas sim descansar. Acabamos por optar por Ponte da Barca.

Uma vez que não temos carro, o único transporte possível para nós foi o autocarro. Ficamos num aparthotel com um ar primaveril e mesmo virado para as piscinas públicas da vila.  Por acaso, acabamos por não ir, apesar do valor para ali estar "de molho" um dia inteiro fosse irrisório. Cada mini apartamento tinha um tema, e o nosso era sobre Dom Quixote. O aparthotel tinha também um terraço enorme, com espreguiçadeiras e toldo, cadeiras e mesas, para todos os hóspedes, do qual, claro, fizemos uso para as nossas leituras de final de tarde.

Vista parcial do terraço do aparthotel.

A Vila era pequena e pacata, tal como desejávamos. No primeiro dia, sexta, vimos tudo o que havia para ver. No sábado acordamos tarde e demos um passeio mais demorado para tirar fotos e também para meter os pés na água gelada do rio.



Ainda tivemos tempo para visitar a típica tasca do sítio, onde o Moço comeu umas belas de umas pataniscas (segundo diz ele, eu não gosto de tal iguaria) e onde compramos algumas lembranças para nós e também para oferecer.

No domingo o nosso pequeno almoço foi constituído, entre outras coisas, pelos docinhos típicos da Barca, os Magalhães. São uma espécie de barquinho, mas comêmo-los antes de nos lembrar-mos de tirar fotografias... Por isso, à falta de melhor, deixo-vos aqui o link de uma imagem tirada das internets.

No seu todo, foram umas mini férias bem pequeninas, mas souberam mais que bem. O já velhinho "vá para fora cá dentro", que deu para conhecer uma terra nova de Portugal e, essencialmente, para descansar da azáfama da cidade e do dia-a-dia.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Ragnarök, ou uma espécie de apocalipse peludo


Lembro-me que estava a chover muito nesse dia. Colocaram-me numa mantinha e levaram-me para fora, para as escadas de um prédio, e deixaram-me lá sozinho, ao frio e à chuva, apenas com uma pequena taça com comida e outra com leite. Não comi. Passei a noite cheio de frio, de fome. De medo. Chamei e chamei, mas ninguém voltou para me vir buscar. Acabei por encontrar um local mais quente, longe da manta onde me deixaram, entalado no exaustor de uma loja duas portas ao lado.
No dia seguinte de manhã, um rapaz apanhou-me e levou-me para dentro da loja. Na altura não o consegui ver muito bem, porque tinha os olhos colados com as remelas e o líquido estranho que me escorria dos olhos. Colocou-me numa caixa de papelão e tentou acalmar-me, mas estava com tanto frio e medo... O rapaz e as outras pessoas da loja perguntavam aos clientes se queriam um gatinho, mas todas responderam que não queriam ou não podiam. Uma sugeriu que me voltassem a colocar na rua, mas o rapaz que me recolheu ficou muito zangado e disse que não. Passado algum tempo ele levou-me para um novo lugar, para uma casa.  Colocou-me no wc com um cobertor fofinho, comida e leite próprio para gatos, mas eu não comi. Depois ele teve que sair e voltei a ficar sozinho. Continuava com muito medo.
Passado algum tempo, apareceu uma rapariga. Também não a conseguia ver muito bem. Tentei bufar-lhe, mas não tinha forças. Pegou-me e tentou dar-me banho, mas não queria sentir mais água. Fazia-me lembrar da chuva que me deixara gelado e com o nariz todo ranhoso. Ela desistiu do banho, mas percebeu finalmente que eu estava cheio de pulgas. Depois ela pegou num cotonete, molhou-o na água morna e, com calma, começou a limpar as remelas que tinham secado e quase fechado totalmente os meus olhos. Consegui vê-la pela primeira vez. Também devia ter um problema nos olhos, porque estavam cheios de água. Aconchegou-me junto dela, envolto na toalha com que me tentava secar o pêlo e fiquei, por uns segundos, a olhar realmente para ela. Percebi que não me ia fazer mal e fiquei agradecido. Encostei a minha cabeça ao peito dela e deixei-me, finalmente, dormir.
Algum tempo depois, o rapaz voltou. Estiveram os dois comigo algum tempo, a fazer-me festinhas e a tentar que eu comesse qualquer coisa. Adormeci. Quando acordei, estava tudo escuro e os humanos tinham desaparecido. Chamei e vieram logo a correr, aconchegaram-me e voltei ao sono. Quando acordei mais uma vez, chamei e lá estavam eles, novamente, ao meu lado.
No dia seguinte, o rapaz levou-me a uma senhora que tinha uma data de instrumentos que encostou em mim. Ele chamou-a de veterinária. Deu-me uma pica e fiquei ensonado, mas sei que isso matou as pulgas que tinha no pêlo. Nesse dia comi pouquinho, mas outra coisa me encheu que não foi comida: felicidade. Aqueles humanos tinham gostado de mim, por isso, decidiram que iriam ficar comigo e cuidar de mim. Chamaram-me Ragnarök. Às vezes é apenas Rag, mas eu gosto. Nessa noite miei quando me deixaram no sofá. Não que não fosse muito confortável, mas não queria ficar sozinho outra vez. A partir dessa noite, tenho dormido sempre com eles, umas vezes debaixo dos lençóis, outras em cima da coberta.
Agora sou um gatinho feliz, com peso saudável, brinco, pulo, roubo meias e faço muitas asneiras. A minha gripe está curada, graças à resiliência dos meus humanos que, durante semanas a fio, me limpavam os olhos e o nariz com soro fisiológico, me deram medicação e muito carinho. Não os trocava por nada. Gosto de comer, de ficar à janela, de atirar batons do cieiro ao chão, de atacar os rolos de papel higiénico e de brincar com a meia que os meus humanos arranjaram só para mim, para não destruir as deles. Gosto do miminho que me dão, de dormir no colo deles e de lhes morder ocasionalmente. Agora já não preciso de miar e chamar por mais ninguém, porque finalmente tenho o meu clã.


Se o bebé apocalíptico de quatro patas do Covil pudesse falar, seria mais ou menos assim que contaria a sua história. Se vos disser que me partiu o coração ver em que estado estava depois de ter sido deixado, na rua, ao frio e à chuva, por um monstro, é dizer pouco. A minha avó, pessoa mui sábia, dirá a qualquer um que "quem não gosta de animais, não pode gostar de pessoas". Não podia estar mais de acordo.

Dar-lhe um nome foi o passo decisivo. Se fosse uma menina, seria Leia, mas como é um menino, ficou Ragnarök, porque não há dúvidas que um gato é um apocalipse peludo a acontecer. Alguns dias depois do Rag estar no Covil e apesar de ter começado a interagir, cheguei a pensar o pior. Não comia quase nada e perdeu peso, quando já era estava praticamente pele e osso.

Felizmente, começou a melhorar. Pareceu um milagre. Começou a comer bem, a brincar e a saltar como um doido. Acho que ele sentiu que estava finalmente seguro e que podia confiar em nós. A gripe ainda persistiu algum tempo, mas passou. Foi um passo importante acolhê-lo, porque acarretou algumas responsabilidades, mas nos nossos destinos estavam entrelaçados. Hoje é o seu primeiro aniversário (ou aquele que  a veterinária estimou, visto que não sabemos realmente quando nasceu) e sua prenda foi uma lata de atum em água só para ele. A nossa prenda foi vê-lo saudável e feliz ^^



Em cima, a primeira foto do Rag quando foi apanhado da rua, muito doentinho. Depois, as primeiras fotos dele no Covil, já lavadinho e com os primeiros cuidados. Em baixo, já crescido e saudável ^^


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Mundo insólito made in Jiangsu

Imaginem aquelas situações em que precisam de fazer um pagamento ou um carregamento de telemóvel rapidinho e está à vossa frente uma criatura que está quase embutida no multibanco, a pagar a conta da água, da luz, do gás, das telecomunicações, da telebabysitter e da última encomenda de meias de descanso da velha tia solteira.

Ou então imaginem aqueles momentos em que estão cheios de tarefas diabólicas para fazer, entre elas ir ao pc apenas para ver uma coisinha, e o bandido encrava só para meter nojo, ao ponto de contaminar todo o hardware num raio de 1936 km de distância, até nos levar à loucura.

O mundo está cheio toda uma diversidade de situações insólitas, estrategicamente equacionadas pelo universo, para nos deixar no limite da nossa sanidade mental. Concordam comigo? Então continuem a ler. Se não concordarem, continuem a ler na mesma.

Certo dia, fui com o Moço ao IKEA. Quando voltamos, vínhamos, entre outras coisas, com um pacote de 1,80 m de altura e cerca de 20 kg no lombo (do Moço) pelos vários autocarros que tivemos de usar para chegar a casa. Dia seguinte, domingo, decidimos montar a estante que vinha no dito pacote, cuja compra não teve, obviamente, nada a ver com o facto de ser uma bookaddicted que continua, compulsivamente, a adquirir mais livros (e também a receber alguns, vá...!). Mas para a "bricolage caseira", seria necessário um martelo, artefacto que não existia n'O Covil. Por isso, o Moço decidiu ir aqui ao lado, designadamente, aos Chineses mais próximos, para comprar um, já que toda a gente sabe que estas lojas estão quase sempre abertas, sábados, domingos e feriados nacionais incluídos. Excepto quando precisas, ou seja, no ano novo lunar chinês.


Coisas da vida. Uns dias e uma borracheira asiática depois, restaurada a normalidade, já havia martelo e estante montada. Entretanto, as prateleiras da nova estante já estão quase cheias com os seus novos inquilinos instalados ^^

domingo, 2 de julho de 2017

Movies in Concert, da Lisbon Film Orchestra

Há alguma semanas, eu e o Moço fomos ao Movies in Concert, da Lisbon Film Orchestra, que decorreu no Coliseu do Porto. Foi completamente por acaso que me deparei com o evento nas redes sociais, e foi unânime que seria um óptimo programa para os dois.


Este ano, por ser o 10.º aniversário da Lisbon Film Orchestra, o espectáculo foi no Porto, ao invés de tomar lugar na capital. Durante o concerto, que durou cerca de 100 minutos, 54 elementos foram dirigidos pelo Maestro Nuno de Sá e presentearam a plateia com as bandas sonoras de diversos filmes icónicos da historia do cinema. Durante os pequenos intervalos, o jornalista Mário Augusto apareceu para deixar algumas notas e curiosidades sobre os filmes em palco e a cantora Ana Margarida (que interpreta "Já Passou", da versão portuguesa de Frozen) deu voz a algumas músicas.

Os filmes "em cartaz" foram:
  1. Star Wars
  2. Superman
  3. Forest Gump
  4. Back to the Future
  5. La La Land
  6. The Lord of the Rings
  7. E.T.
  8. 007
  9. The Schindler's List
  10. Harry Potter
  11. Paradiso
  12. Indiana Jones
  13. Mission Impossible
  14. Pirates of the Caribbians
Encore:
  1. Chicago
  2. Star Wars - The Imperial March

Como podem ver, foi escolhido o início perfeito, com a música de abertura de Star Wars, mas confesso que isso fez-me ficar um pouco triste porque não iria ouvir a Marcha Imperial... Claro que (felizmente!), estava enganada =P

Todos os filmes, como podem ver, são extremamente conhecidos e marcaram várias gerações, cujos símbolos/ logos foram projectados numa tela atrás da orquestra durante o concerto. Algumas das actuações contaram com músicas específicas das bandas sonoras das longas metragens em questão, como no caso de Star Wars ou Paradiso, outras eram medleys, como as de Lord of the Rings ou Chicago. Por vezes fechava os olhos para revisitar cenas de alguns desses filmes na minha cabeça. Houve sentimentos "a acontecer" a todo o momento. A actuação de Harry Potter chamou por diversas memórias, por todas as razões e mais alguma. No entanto, foi a música de The Schindler's List que mais me emocionou. Apesar de nunca ter visto o filme, tal não foi preciso para tocar "bem cá no fundo", quase me levando às lágrimas. Mas as interpretações que mais gostei, aquelas que me fizeram saltar da cadeira a cada acorde, foram o medley de Pirates of the Caribbians... and the Imperial March, of course!!


Como disse acima, por totalmente por um acaso que soube da existência deste espectáculo, ainda para mais aqui tão perto. Tenho ideia que a cultura não é coisa que importe muito... mas isso é uma coisa minha. Tal podia ser notado pelo facto de cerca de metade dos lugares sentados do Coliseu estarem vazios. Mesmo assim, a Lisbon Film Orchestra deu um concerto espectacular e só posso dizer que, se são daqueles que adoram música e filmes, perderam uma noite e pêras!

Infelizmente, apesar de ter conseguido bilhetes para este espectáculo fabuloso, o mesmo já não me foi possível para o último concerto dos HIM em Portugal. A banda vai desmembrar-se e esta seria a minha última oportunidade para os ver ao vivo, coisa que nunca consegui. Por isso, assumi o compromisso de ir vendo, com alguma regularidade, os sites de vendas de bilhetes online. Bem sei que uma coisa não compensa a outra, mas assim faço mais por mim e um pouco pela cultura, da qual eu preciso em largas quantidades.

Se alguma vez a Lisbon Film Orchestra voltar ao Porto, ou alguma cidade cá pelo norte, com certeza irei vê-los com o mesmo entusiasmo. Ou talvez mais! =)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Comic Con Pt 2016

Para comemorar o Geek Pride Day, celebrado a 25 de Maio, aqui fica o post pelo qual têm desesperadamente esperado: a reportagem mais ou menos profissional da edição da CCPT2016!!

O grande mote das diversas edições da Comic Con Portugal é o já conhecido Be Whatever You Want. Mas acho muito sinceramente que esta terceira edição, mais uma vez realizada na linda cidade do Porto, deveria ter como mote Be Nostalgic.


Como devem ter reparado neste post, a viagem ao mundo geek já estava marcada e havia uma pequena Nightwisha Maria muito empolgada, pronta para rumar à aventura. Apesar dos grandes planos para quatro novos cosplays, consegui terminar apenas dois, o que, tendo em conta o tempo disponível e a minha doideira, foi uma conquista. Para esta edição conseguimos ficar na casa de um casal amigo (cujo espaço na Comic Con foi um verdadeiro sucesso!), o que fez com que conseguíssemos tirar maior e melhor partido do evento sem termos que correr para apanhar transportes.

Como prometido, aqui fica a pseudo reportagem da Nightwisha Maria da Comic Con Pt 2016. Demorou, mas veio!! Preparados para mais um post testamental? =P


Dia 1 - One quarter Sayajin

Por onde começar... As expectativas estavam muito altas e a vontade de viver alheada do mundo normal durante quatro dias foi incrivelmente avassaladora. Este primeiro dia serviu para perceber de que forma o espaço estava organizado e preparar as nossas andanças para todo o evento. Como foi um dos dias com menos gente, deu para ver tudo assim por alto, mas com calma, e rever imenso pessoal.

Logo nesse primeiro dia notamos que a Con estava "mais pequena". Havia menos expositores/ lojas e bem mais espaço entre cada uma das suas bancas. O "espaço excedente" no pavilhão das lojas foi utilizado para albergar o Artist's Alley que contava, igualmente, com menos artistas.


Neste dia decidi reutilizar o cosplay da Pan, para entrar na nova onda de Dragon Ball. Não tirei muitas fotografias, mas as pessoas que me abordaram ou que eu abordei foram super simpáticas, incluindo o Son Goku sayajin de nível 4 espanhol, e até me chegaram a pedir um kamehameha ^^ Já o Moço foi com uma versão casual do Capitão Kyōraku Shunsui do anime Bleach.

(À esquerda) Parece que a Pan invocou o dragão errado... (À direita) Shunsui, o
jeitoso a quem nem um (uma) dragão (dragoa) resiste.

Claro que o dia não estaria completo sem que passássemos na banca da Saída de Emergência. O Moço sugeriu que fossemos lá logo no primeiro dia, visto que em anos anteriores, não conseguimos encontrar o que queríamos porque os livros com bons descontos desapareceram como o fumo. Fui então presenteada pelo Moço, como é já tradição, com dois livrinhos novos: Flashfoward, de Robert J. Sawyer e As Fabulosas Aventuras de Solomon Kane, de Robert E. Howard, e ainda trouxemos alguns pins da SdE para a nossa colecção =)


Dia 2 - Because I'm Abby Sciuto and I know things

Este foi o dia das compras. Sim, este ano fizemos compras! (As da SdE não contam, porque são tradição). Compramos arte. Tal como na quinta-feria, este dia foi bastante calmo em termos de quantidades de povo a circular. Deu perfeitamente para, agora que já tínhamos visto tudo de uma forma geral, parar nos locais onde desejávamos "perder" algum tempo. Sem dúvida que, para mim, esta edição da Comic Con foi devotada, pela minha pessoa, aos artistas.

Para além de reencontrarmos as meninas do Encanto das Fadas, o pessoal do Pixelart, a Sora e a Kika, conseguimos realmente apreciar e conversar com muitos outros artista e artesãos que se encontravam no evento. Tenho-me apercebido que estes são os elementos da Comic Con aos quais é dado menos "tempo de antena" ou até nenhum crédito, o que, especialmente depois desta edição, considero um erro muito grave.

A oferta de arte era enorme e eu, basicamente, queria levar tudo. Acabei por encomendar um anel da Luna de Sailor Moon à menina do Jewels don't Shine, que é super divertida e me deixou a babar pelas Polly Pockets em prata que tinha expostas. Não foi desta mas, mais cedo ou mais tarde, uma delas vai comigo para casa, não duvidem ^^ O Moço comprou a BD da Sora, R.E.D. (que já está na minha to-read list) e eu encomendei-lhe um desenho de um dos meus pokemons favoritos, o pequeno e fofinho Eevee. Também tentamos ganhar o quadro do Link (Legend of Zelda) que os Nerdbeads estavam a rifar... mas não tivemos sorte =P

Capa do manga R.E.D., retirado da página do Deviantart da autora; banca
da Bohemian Weasel, retirada da página de Facebook da artista.

Umas bancas ao lado da Sora e da Kika, estava a Bohemian Weasel, onde a artista Soni e a sua mãe, a primeira inglesa e a segunda portuguesa, nos deixaram deslumbrados. Tanto eu como o Moço compramos vários prints das ilustrações disponíveis (porque muita coisa já tinha esgotado, incluindo uma do meu adorado Edgar Alan Poe). As composições inspiradas em Lord of the Rings e as versões originais e mais obscuras de diversos fairy tales deixaram-nos rendidos. Um dia próximo, o Covil terá um grande quadro com as diversas ilustrações da Soni ^^

No que ao cosplay diz respeito, voltei a usa o fato de Abby Scuito, mas com algumas alterações. Como a personagem é fértil em guarda-roupa e penteados, mantive apenas aquilo que seria essencial para que fosse reconhecível. E foi, pois claro =) O Moço é que foi confundido (às vezes de propósito =P) com um certo treinador de pokemon. Apenas os mais atentos detentores de mentes pouco recomendáveis conseguiriam chegar até ao Kintaro Oe de Golden Boy.


Em cima, com os Nazgûl de LotR e a jogar "peixinhos" (Free that Fish)
Em baixo, com uma menina super simpática que eu desconheço, sorry!; "Kintaroeseption" no stand da
Jewels don't Shine; Os fantasmas de casa Ravenclaw: Helena Ravenclaw e Moaning Myrtle.


Dia 3 - Come to the dark side

Terceiro dia de Con e aquele que se esperava ser o caos de povo. Obviamente, estávamos certos. Sábado é, por excelência, o dia com mais pessoas e com mais actividades chamativas do grande público, incluindo o concurso do Heróis do Cosplay.

A maior parte do tempo foi passada na parte menos claustrofóbica do evento, ou seja, longe das bancas das lojas de merchandise. Ficámos então no pavilhão onde estavam os videojogos, a 501th Legion Portugal e a Cosplayer, que mais uma vez disponibilizou vestiários para os cosplayers que quisessem mudar de roupa no recinto, o seu canto lounge e a SOS Cosplay para quem necessitasse de reparar qualquer coisa no seu fato. Mesmo ao lado estava ainda a Corte do Norte, mais uma vez convidada pela organização da Comic Con, com um espaço dedicado ao steampunk. O pessoal é bastante simpático e organizou actividades para entreter os visitantes. No mesmo espaço encontrava-se também a Skypirate Criations, com as suas obras de arte (sim, arte!), também ligadas ao género steampunk, que vão desde bijutarias e assessórios, a roupa e armaduras! Eles foram, sem dúvida, um sucesso no evento, com toda a gente a querer fotografá-lo e até a entrevistá-los!

Este foi também o dia escolhido para usar o único fato que consegui costurar sozinha. Foi assim uma ideia que se me passou pela cabeça e acho que resultou super bem. Já era do vosso conhecimento que eu queria fazer cosplay de Leia, e esse era realmente um dos fatos que eu estava a preparar, mas aquilo estava a correr tão mal que abandonei (apenas por algum tempo) o projecto e concentrei-me na sua versão sith. Assim, aqui fica a "minha interpretação" de como a Leia poderia ter sido se se tivesse passado para o lado negro da força e enchido a pança de bolachas.

À esquerda e ao centro, fotos gentilmente cedidas pela Cosplayer; à direita, com o maninho Luke.

À esquerda, com a gueixa steampunk (Skypirate Criations) e o personagem Kylo Ren.

À esquerda, o Moço, a fazer javardices com o Império (501th Legion); à direita, com o pessoal da Slypirate Criations.

Dei-lhe o nome de Darth Nyst, de acordo com a teoria de que o nome do Darth Vader vem, não da palavra holandesa para "pai", mas sim de "invader" e que o Darth Sidious vem de "insidious". Vi esta teoria num dos milhentos fórum de fãs e, confesso, é bem mais interessante. A minha Leia é uma antagonista da personagem original, daí Nyst ("antagonist" com "y").

Mas o Moço não ficou nada atrás... antes pelo contrário. Ele foi o muito bravo e livre William Wallace do filme Braveheart. Os mais novos poderão não fazer a mínima ideia do que eu estou a dizer, mas ainda assim, recomendo-lhes que vejam, e aos mais velhos que revejam, esse fantástico filme sobre a força e a vontade de um povo que apenas queria ser livre. Aviso já que os efeitos especiais "são mentira", mas o que interessa, neste caso, é mesmo a história (e a História) que nos conta.

E foi nestes lindos trajos, maravilhosamente construídos pela Sílvia da Skypirate Criations, que o Moço fez as honras da casa a apresentar, mais uma vez, o concurso Heróis do Cosplay. Este ano voltei a não tirar fotos, porque nem a máquina nem a fotógrafa são grande coisa, e há sempre imensos profissionais bem melhores que eu a cobrir a actividade. Fica ainda o vídeo da Mind Bizarre relativamente ao evento, onde aparecemos com os cosplays de sábado. Ela e o seu Moço foram óptima companhia (e também me fizeram delirar pelo relógio de controlo do BB8 ^^ ).

O Moço e a vencedora do concurso Heróis do Cosplay, a Lúzia Gomes (Alnilna Luzia).

Bem bem no final do dia, e muito cansados, ainda fomos a um shopping qualquer jantar porcarias. Podemos dizer que teve a sua piada ver toda a gente na zona da restauração a olhar para nós, pasmados, como se tivéssemos saído de Arkham, mas houve um senhor no elevador que reconheceu a minha personagem, apesar do dark twist! A força também come fast food, quando a necessidade aperta.


Dia 4 - Slytherin Pride

Bem cedinho de manhã, enquanto vestia o último cosplay do evento, dei conta que o sonho estava a acabar. Mas a tristeza deu lugar à alegria mais uma vez quando me vi imersa naquele mundo novamente. Aquele seria o dia para passear e dizer um último adeus a pessoas e bancas fantásticas, para descontrair antes de voltar para o mundo real e para ver o primeiro painel de sempre em todas as Comic Cons que já aconteceram no nosso pais. Sim, eu fui ver uma painel!

Fizemos mais algumas compras, até porque o recinto não estava apinhado como no dia anterior. Comprei um stiker da Death the Endless, de quem fiz cosplay no ano passado, a uma menina super simpática e talentosa, a Mignon. Fui também buscar a encomenda que fizera à Sora e só posso dizer que o meu Eevee ficou uma verdadeira fófura (como um Eevee deve ser ^^ ). O Moço ofereceu-me um porta-chaves daqueles gatinhos asiáticos com um guizo lá dentro e um marcador de livros da minha querida Belle.

Não contava que fosse abordada para tirar fotos no domingo, pois, tanto eu como o Moço, estávamos vestidos como alunos de Hogwarts da respectiva Casa, porque havia muitos cosplays do género e porque, nos vários dias do evento, não tivemos assim tantos pedidos. Mas não é que estávamos enganados? Este foi o dia que tiramos mais fotos e que até nos pediram para fazer uma pequenas encenação de combate, para fazer parte de um vídeo escolar! Sim, estou toda babada e mortinha para ver ^^



A minha teoria é que, apesar de estarmos vestidos de alunos, o facto de sermos de Casas diferentes fez alguma diferença, porque os grupos que iam aparecendo eram mais homogéneos. Para além disso, consegui encontrar duas Bellatrix Lestrange para tirar fotos comigo... E porquê perguntam vocês, quando ela foi capaz de *spoilerapagar algumas das minhas personagens favoritas, incluindo o meu querido Sirius? Porque eu, com este cabelo de piaçaba, e tendo em conta que não há nenhuma personagem feminina com destaque nos Slytherin, só poderia ser a jovem (e solteira) Bellatrix Black. Todas as peças de roupa foram compradas, sendo que algumas são oficiais, outras não e outras ainda são peças de roupa/ calçado comuns do dia-a-dia que reutilizei. Todo o trabalho esteve nos props: o galho de uma árvore que me caiu aos pés perto do Covil que virou uma varinha, o meu livro dos Monstros Fantásticos e onde Encontrá-los, o caderno onde colei a capa do Advanced Potions Making e a maleta de madeira que dentro tinha pequenos frascos de poções (e a minha carteira, vá =P).

O Moço foi de aluno random de Gryffindor, se bem que houve quem lhe chamasse Hermione. Ou Hermínio =P Por mim, ele teria sido o jovem Sirius Black, até porque ele e a Bellatrix são primos, daí que, para mim, fazia todo o sentido. Já diz o povo: quanto mais prima, mais se lhe arrima!

Da esquerda para a direita: Bellatrix ao quadrado (com Vanessa Cardim) =P E euzinha com a Mafs de Sailor Moon^^ 

Conheci pessoalmente a Mafs do A Little Guess! Ela e a irmã fizeram cosplay de Sailor Moon e Sailor Mars, respectivamente, e posso dizer que os fatos estavam muito bons!! Elas são umas queridas e aturaram a minha panca durante um bom pedaço de tempo. Só por isso, merecem um lugar no céu!

Para finalizar o dia, fomos ver o último painel da Con e o único para o qual eu iria esperar uma fila durante umas duas horas. Antes disso, ainda consegui beber o último bubble tea do evento. Timing my friends, timing! Obviamente, o painel que queria ver era o de Remember Harry Potter, que ocorreu duas vezes durante o evento e onde não deu para assistir no sábado porque era ao mesmo tempo que o Heróis do Cosplay. Consegui ficar relativamente perto e omfg, foi tão wow! Para um não Potterhead não teria sido nada de especial, mas para mim a espera valeu. O painel contou apenas com o Jason Isaacs (Lucius Malfoy) e a Katie Leung (Cho Chang), visto que o David Bradley (Mr. Filch) cancelou cerca de uma semana antes da Comic Con. Os actores contaram histórias super interessantes, e o Jason tinha um discurso que era, ao mesmo tempo, descontraído e um pouco galhofeiro (e sarcástico), como calmo e paternalista, com óptimos conselhos para todos.

E foi assim, em grande, que a Comic Con 2016 terminou para mim. O realty check estava mesmo ao virar da esquina e eu não queria nada sair daquele espaço. Sentir o frio da noite na cara já era, para mim, sair definitivamente daquele mundo para voltar à realidade. Mas tem que ser, não é? À saída, o típico "até para o ano" aos seguranças. Vamos acreditar que sim ^^


E agora, momento de reflexão sobre o que correu bem, o que correu mal e o que poderá ser melhorado para uma próxima edição.

Pontos positivos:
Deixar o mundo real por alguns dias é sempre awesome. Conhecer novas pessoas e voltar a encontrar outras com quem estou, em certos casos, uma vez por ano, é fantabulástico. Como diz o Ricky, são as pessoas que fazem os eventos. E nesta edição consegui ainda falar com artistas! Uma vez que os dois primeiros dias da Comic Con tiveram menos gente, deu para ver tudo com calma, conhecer desenhadores e artesãos, os seus trabalhos enquanto babava e ainda encomendar umas coisinhas =)

Ainda que o espaço do evento tenha, no seu todo, diminuído, acho que os pavilhões foram melhor aproveitados, com menos espaços "em branco". A zona da alimentação tinha mais variedade, se bem que não seria pior ter uma melhor ventilação.

Contrariamente ao que muita gente tem dito, eu acho que o cartaz melhorou consideravelmente (não é aqui que me vou pronunciar quanto aos cancelamentos) e que a organização pensou em investir um pouco mais nos convidados. Se vieram todos os actores que eu gostaria de ver? Claro que não, mas também não poderia esperar tal coisa.

Pude falar com artistas e comprar a sua arte. Todos eles eram muito simpáticos e acessíveis, e incrivelmente talentosos, algo que só poderia sonhar em ser. Vi ainda muitos miúdos a fazer cosplay, mais até que no ano anterior, e até famílias inteiras! Isso deixa-me realmente feliz, por vez que as mentalidades estão, progressivamente, a evoluir. Ser cosplayer, independentemente da nossa idade, gostos ou meio profissional, é, acima de tudo, sobre fazermos uma coisa que nos faz bem! Não é uma perda de tempo ou de recursos. É estabelecer metas e cumpri-las, mesmo sacrificando a nossa sanidade mental a fazê-lo. É ser-se designer, costureiro, modelo, actor, fotografo, make up artist, cabeleireiro, inventor, chalupa, criativo. Feliz.

Uma palavra de agradecimento e de reconhecimento à organização da Heróis do Cosplay (e que não é a da Comic Con em si). Para mim, é uma das maiores e mais aguardadas actividades do evento e que tem primado, ano após ano, de uma excelente organização. Não estou a dizer isto por o Moço ter sido a cara do concurso até à edição anterior, mas porque é aquilo que eu realmente sinto. Acho ainda que, apesar do Heróis do Cosplay falar por si mesmo e não necessitar de publicidade extra, dever-lhe-ia ser dado mais crédito. Por isso, aqui fica o link para a página de facebook da Associação Portuguesa de Cosplay e para um vídeo maravilhoso de Adam Savage que todos, cosplayers ou não, deveriam ver.

A minha lista de prendas aumentou consideravelmente. A minha carteira está a ter uma síncope.

Darth Nyst e o seu paizinho!! As father as "daughter" =P

Pontos negativos:
Para mim, o grande aspecto negativo desta edição foi a organização. Não considero que tenha sido pior, no seu todo, que no primeiro ano de evento, mas tendo em conta que esta foi a terceira edição da Comic Con, a "meia desculpa" que tinham no primeiro ano foi-seE já nem estou a falar do facto de ter havido vários problemas com o cartaz, o qual, na manhã do primeiro dia, ainda não estava totalmente "fechado". Estou a falar dos panfletos que ainda estavam a ser dobrados para serem distribuídos durante o primeiro dia doa Con, da entrada pela acreditação que demorou imenso tempo, dos seguranças e dos voluntários que não sabiam responder a nenhuma pergunta porque, muito provavelmente, não foram convenientemente instruídos para tal e do papel higiénico que faltou nos wc's das senhoras. A do papel higiénico nunca me tinha acontecido em nenhum evento do género, Comic Con incluída.

Como disse acima, vi que o espaço do próprio evento encolheu bastante. O facto de estarem menos bancas na Comic Con este ano leva-me a pensar que, ou muitas dessas lojas fecharam (sei do caso de duas em específico) ou chegaram à conclusão que não lhes não compensa estar ali, o que é uma pena. Os autores e painéis literários foram "empurrados" para uma zona que, anteriormente, fora o Artist's Alley, mas que era deslocada de tudo o resto e, para além disso, uma zona bastante fria. Quem viesse do pavilhão das bancas de merchandise para ali, sentiria uma quebra de temperatura bem jeitosa para apanhar um resfriado. E vi um autor, um senhor mais velho, a ser deixado "meio perdido" pelo recinto.

O que falar dos artistas? Desta vez colocaram-nos numa zona mais central, no mesmo pavilhão que as lojas (porque havia espaço que chegasse e sobrasse) e, da mesma forma, eram em número consideravelmente inferior ao dos anos anteriores. Seriam, à vontade, metade. Só não percebo a necessidade de colocar uma parede de contraplacado a separar as bancas das lojas dos artistas. Isso originou a que muitas pessoas nem conseguissem perceber onde estes últimos estavam, e eu acho que só passei pela Artist's Alley no segundo dia da Con.

Não vi qualquer necessidade para que o evento tivesse quatro dias. Continuo a não ver. Para mim foi óptimo por todas as razões acima, e sei que foi uma forma de, no ano passado, se aproveitar o feriado, mas não estiveram assim tantas pessoas no recinto na quinta e na sexta que justificasse o alargamento da Con. As pessoas dispersaram por todos os dias do evento, tendo uma afluência relativamente baixa todos os dias, excepto no sábado. Da mesma forma, a maioria das actividades concentrou-se nesse dia, o que fez com que alguns visitantes tivessem que escolher ir a apenas uma actividade marcada para determinada hora, como aconteceu com o primeiro painel de Remember Harry Potter, o painel de dobragens e o concurso do Heróis do Cosplay, os quais aconteceram todos os mesmo tempo, no sábado. Provavelmente por isso, algumas actividades/ painéis tiveram um take II.

A minha lista de prendas aumentou consideravelmente. Vão haver reclamações por parte da minha carteira... e da do Moço também!

Finalmente, uma das piores coisas que este evento acarreta (e que não é necessariamente seu) é o mimimi que todos os anos aparece como por magia negra nos corredores e pavilhões sobre "quando é que a Comic Con vai ser em Lisboa". Já ouvi todos os argumentos possíveis e imaginários para que o evento vá para a capital: porque fica mais perto para toda a gente, porque assim o pessoal que vem de Lisboa tem mais facilidade com os transportes (nem todos, apenas os mais incautos), porque Matosinhos (melhor dizendo, Leça da Palmeira!) não é Porto, porque na Exponor só há um multibanco, porque há filas. Pessoal, já chega. Obviamente, eu vou sempre dizer que prefiro que o evento seja no Porto, porque fica mais perto para mim e porque quase todos os outros eventos são em Lisboa. Mas essa é a minha opinião puramente egoísta, eu tenho consciência disso e, como tal, não a vou impor a ninguém. Como eu me desloco a outros locais para ir a determinados eventos, também o faz tanta e tanta gente, de todos os pontos do país, muita dela da capital, e não os vejo queixar-se. Há argumentos que são perfeitamente plausíveis, mas porque há filas já não pode ser no Porto?! Neste tipo de eventos, há sempre filas, quer seja aqui, quer seja na Suécia. Não vejo qual a preocupação, até porque, sinceramente, acho que é uma questão de tempo até a Comic Con passar a acontecer em Lisboa. Mais tarde ou mais cedo, todos os eventos com nome passam para Lisboa. Vejam o caso do Vagos Open Air, que agora é apenas VOA. Por isso, basta esperar e, já que vieram ao Porto, aproveitem para comer uma bifana das boas ou uma francesinha. Se não for pela Con, venham ao Nuorte pela comida, que não se vão arrepender ;D

Digimon e Harley Quinn.


No seu todo, posso dizer, sem grandes surpresa, que adorei ir à Comic Con, porque viver naquele (também meu) mundo é sempre maravilhoso, juntamente com povo fantástico. Espero, claro, poder voltar para o ano, e nos anos seguintes, seja onde for, mas de preferência no Porto porque me dá mais jeito. É um argumento válido como todos os outros e o médico disse que não podia ser contrariada. Ele também disse que o sarcasmo me faz bem =P


Para finalizar, aqui fica a tradicional lista de hastags, as quais só vão entendidas por aqueles que as entenderem, e que vêm tão estupidamente caracterizando os posts mais apalermados (mas também os mais hilariantes) deste blog à beira mar (e penhasco) plantado.

#sesobrevivermosàcomicconoapocalipseestáganho #onequartersayajin #kamehameha #avozinho #imabbysciutoandiknowthings #fuiabordadaparatirarumafotoàsaídadacasadebanho #queroumfurbacca #tambémjogueipeixinhos #freethatfish #cometothedarksidewehavecookies #princessleia #leiaorganaskywalkersolo #darthnyst #daddysgirl #maytheforcebewithyou #euprecisodeumrickynaminhavida #quesáfodavaiassim #nadadistoémeuexceptoaroupainterior #povoquelavasnorio  #jávistasminhasmãosparecequefizumexameginecológicoprofundo #daquianadaficosemepiderme #sãotodasminhasfilhas #contraoboi #freedom #slytherinpride #bellatrixblack #missbella #ojasonmandouumaspiadolassobreosfãsfalaremtãobeminglês #aocontráriodeoutraspessoastipomoderadoresdepainéis #elenãodissequeerasobreissomaseunãosouparva
#queriadesmaiaracidentalmenteparaocolodojason #masnãomedeixaram #entendedoresgonnaentenderate


* Todas as fotos que aparecem aqui foram tiradas por mim ou pelo pessoal que me acompanhou, excepto as devidamente assinaladas. Em todas foi pedido aos intervenientes o seu consentimento. Um muito obrigada ao pessoal que me enviou fotos da minha pessoa em cosplay, apesar de não me lembrar dos vossos nomes, e ainda ao Tiago Vasconcelos, fotografo da Cosplayer E-zine (devidamente assinaladas no texto ou nas próprias fotos). Um muito obrigada a todos!